Curso Online Maneco A`raújo.

Módulo 00 – Introdução

Submódulo 02 - O Artista

História

Gostaria de compartilhar com vocês um pouco sobre a minha trajetória, até alcançar este momento de realização artística.

 

Como sabemos, a vida de artista costuma ser difícil e árdua, alguns dizem que nascemos artistas outros dizem que descobrimos a arte, mas não importa, o que mais importa é que fazemos arte e a arte nos transforma em pessoas melhores e sensíveis, em busca da verdadeira essência da vida. Quem faz arte não faz guerra.

Nasci em Belo Horizonte (MG), no ano de 1975. Meu avô foi me visitar no berçário da maternidade e, assim que me viu, ele disse a meu pai: este menino vai ser artista!

Meu pai Lúcio Peres e minha mãe Ângela Maria Araújo já traziam a veia artística. Meu pai pintava e minha mãe, além de pintar, tocava violão e teclado e apresentava uma habilidade manual extraordinária, talvez eu tenha herdado esse traço dela.

Com cinco anos eu sabia que desenhar me fazia feliz, e sempre tive o incentivo do meu pai para a atividade artística.  Enquanto ele pintava, eu ficava no chão do ateliê, desenhando com lápis de cor. Na verdade, eu rabiscava sem técnica alguma, obviamente.

Até que um dia eu estava novamente no local e meu pai executando uma obra, quando ele notou que havia tinta no meu rosto, no meu corpo, pelo chão e na parede. Ao invés de me censurar, meu pai, com toda a sua sensibilidade artística, entendeu que o melhor seria me fornecer uma pequena tela e pincéis, para que eu pudesse continuar expressando a minha criatividade.

Passaram-se os anos e meu pai se separou da minha mãe, quando eu completei sete anos. O cheiro das tintas e as texturas das telas ficaram na minha mente. Não foi fácil lidar com a ausência do meu pai nos meus momentos de criação, mas eu fui me virando.

Eu pintava em tudo quanto era branco ou onde tinha como pintar. Eu busquei o meu saber de forma autodidata pois não deu tempo de aprender muitas coisas com meu pai.

Assim como muitos de vocês, eu procurava revistas especializadas e visitava ateliês de artistas e feiras de exposição de quadros. 

Nessa época, meu avô Manoel Pinto Valente faleceu e as coisas não estavam bem financeiramente devido a muitas dívidas que ele deixou sem mesmo saber, pois ele estava com Alzheimer, doença progressiva que destrói a memória e outras funções mentais importantes e pessoas desonestas se aproveitaram da situação.

Caímos numa séria escassez e, com isso, eu não tinha como comprar telas e tintas, o que me levou a abandonar a pintura por anos, mas eu continuei a desenhar em casa e na escola.

Eu era um garoto tímido e tinha vergonha de todos. Na escola descobri uma forma infalível de conseguir amigos e ser o mais popular entre os colegas: descobri que eu era diferente no quesito desenho e poderia começar a desenhar na sala para que outro colega visse e começasse a puxar papo. Assim, fui ficando popular e reconhecido entre a turma da escola.

Isso acontece muito com as pessoas, não é mesmo? Eu fazia trabalho de desenho para todos os colegas por amizade. Mas, ficar só no desenho me trouxe problemas, pois tomei cinco reprovações na escola. Eu ajudava todos e me prejudicava no aprendizado, mas valeu.

Agora estou aqui, com cinco reprovações no currículo, mas feliz e realizado enquanto artista.

Cumpri o Exército em 1994, no Batalhão de Infantaria “Lomas Valetinas”, em Belo Horizonte e lá repeti a estratégia na escola, isto é, comecei a divulgar que eu pintava quadros e desenhava.

Logo obtive admiração dos meus colegas e superiores e passei a executar trabalhos artísticos para o Exército e tive o reconhecimento do meu esforço artístico.

Felizmente, ou infelizmente, dei baixa no Exército em 1995 para ter a liberdade de me dedicar totalmente à arte.

Sendo ainda um amador e detentor de poucas habilidades técnicas, busquei profissões fora da arte. Não fui feliz em três profissões que executei: Corretor de imóveis, Vendedor e Artista Gráfico.

Quando eu era Corretor de imóveis a minha vida era ficar no escritório trabalhando com burocracia e captação. Todos os dias via muita desonestidade e mentiras entre os colegas. O ambiente era muito desagradável e eu me sentia um peixe fora d’água.

Foi então que eu decidi sair e fui trabalhar em um Bingo como vendedor de cartelas e lá tive uma experiência muito boa. Tive que interagir com um público de pessoas totalmente diferentes.

Nesta época consegui entender um pouco mais sobre as pessoas. Tive contato com pessoas viciadas em jogos e percebi que se estas pessoas tivessem uma ocupação artística, elas então, seriam muito mais felizes e não jogariam tanto dinheiro fora.

Tive a percepção de que a arte é a melhor fuga dos problemas do cotidiano. Fiquei 2 anos trabalhando no Bingo até que fui despedido por ter descoberto todas as falcatruas e corrupções que ocorriam por lá.

Depois comecei a trabalhar numa grande empresa de roupas como Artista Gráfico. Como Design Gráfico. Minha função era redesenhar as roupas de coleção em um computador para depois enviar para a produção.

No começo eu estava feliz porque estava me sentindo útil, mas o clima da empresa foi ficando pesado e eu fui me cansando de trabalhar redesenhando os modelos de roupas.

Eu queria criar e não copiar. Em uma bela manhã, o Presidente me transferiu para o setor de criação. Mas infelizmente, o Gerente do setor me impedia de criar e fui tolhido no que eu mais amava, CRIAR. E novamente pedi demissão.

Eu era uma mola encolhida. Eu não era feliz. Não era aquilo que eu queria. Foi então que eu tive o entendimento de que minha vida seria a pintura e o ensino da pintura.

Eu observava a natureza e percebia todos os detalhes. Todos os dias, eu pintava. Eu pintava, apagava, pintava de novo, raspava a tela e repintava até adquirir técnicas. Minha persistência era enorme.

Mesmo sem experiência fui convidado para ministrar aulas para cinco alunos numa escola de arte e me saí muito bem. Adorei a ideia, aprimorei as aulas e descobri que a arte me achou e disse: “Espalhe pelo mundo o seu conhecimento e seja feliz!”

Os meus objetivos de vida eram: ser reconhecido dentro do mundo das artes como artista pintor, mostrar o meu potencial para os que não acreditavam em mim e na minha profissão e conseguir viver de Arte.

Sonhava em ser livre, criar, conhecer muitas pessoas, interagir com artistas e compreender este mundo maravilhoso.

No momento minha técnica está em um nível aceitável, mas demorou para que eu adquirisse maturidade. Tive muitas dificuldades. Foi com muitos estudos, observando e pesquisando vários artistas que eu consegui, mesclando diversas formas de pintar, desenvolver o meu Método de ensino.

Quem conhece pelo menos uma de minhas obras, tanto clássica como contemporânea, sabe bem do que estou falando. Busquei resumir ao máximo as técnicas para que meus alunos conseguissem um resultado imediato e satisfatório na conclusão de uma obra com maestria. 

Hoje eu vivo da minha Arte. Vendo minhas obras, vendo aulas online no meu site, ministro aulas presenciais, faço WorkShops pelo mundo afora.

Aprendi como é a forma de pensar do aluno e com isso pude ajudar muitas pessoas que passaram os mesmos dramas que eu compartilhando muito conteúdo de extremo valor nas minhas Redes Sociais.

Conhecendo a forma de pensar do aluno, conhecendo suas principais dúvidas, eu aprimorei a minha forma de ensinar. Eu aprendi a ensinar e a simplificar a vida do aluno. Eu me adaptei aos alunos e me coloco sempre no lugar deles.

Sou feliz no que faço e você também será. É maravilhoso poder acordar e saber que fiz a escolha certa.

A pintura como filosofia. Agora, meu amigo aluno, minha amiga aluna, estou dividindo isso tudo com você porque tenho como meu maior propósito ajudar a todos que queiram verdadeiramente seguir esse caminho maravilhoso da Arte da Pintura.

Nada na vida precisa ser fácil, porque o fácil é simples demais!