Curso Online Maneco A`raújo.

Módulo 02 – ConhecimentosTécnicos

Submódulo 04 - Ver corretamente

O primeiro passo para se obter sucesso na pintura realista.

O primeiro passo para se obter sucesso na pintura realista.

 

Ver corretamente

 

Antes de mais nada, deixa eu te explicar como a maioria das pessoas costuma exercer na atividade da pintura.

Como eles fazem?

O que acontece é que as pessoas não percebem que elas fazem suas pinturas sem enxergarem de maneira correta a realidade da qual fazem parte. “Como assim, Maneco? As pessoas veem o mundo da forma errada?”. Sim, isso mesmo.

A maioria pinta de forma totalmente inconsciente. Estão condicionadas a ver através do cérebro enquanto que os que pintam com consciência veem da forma correta que é através dos olhos. É obvio. Como se pode pintar de maneira correta o que se vê de maneira errada?

 

Eu observei este problema de forma recorrente durante toda a minha trajetória de professor de pintura. Virava e mexia ele se apresentava bem na minha frente.

Vamos aprofundar um pouco mais.

Toda pintura realista é composta por diversas manchas (áreas) que formam um todo que é o tema. Cada área/mancha tem: uma determinada forma, um determinado tom e um valor específico.

 

Ver com o cérebro:

Tomar decisões consome muita energia e o nosso cérebro tem que fazer isso milhões de vezes por dia. Em função disso, sempre que ele puder buscar um atalho para facilitar o seu trabalho ele o fará. Ele sempre buscará um atalho para a tomada de decisão. Por exemplo, quando solicitamos ao nosso cérebro as informações de uma determinada imagem, ele sempre nos sugerirá de forma mais simplificada e resumida. Isso acontecerá tanto em relação a forma quanto em relação aos tons e aos valores. Por exemplo, se pedirmos ao cérebro que nos descreva a imagem de um dente, ele “dirá”: “Um dente é um retângulo branco com contorno escuro. Se você reproduzir na pintura um dente desse jeito, estará cometendo um tremendo erro. No mundo real, dentes não têm contornos e nem são brancos. Aliás, se você pintar um dente de branco, como poderá aplicar o brilho, que é mais claro ainda que o dente? Não tem como representar um brilho mais claro que o branco puro. Da mesma forma, quando você perguntar sobre o globo ocular, o cérebro irá te dizer que é branco. Toda informação vinda do cérebro é informação simplificada e quase sempre não corresponde a realidade.

Um outro problema grave que as sugestões oriundas do cérebro nos causam é fazer com que entremos em uma espécie de automatismo enquanto estamos pintando. Como é isso? A falta de concentração e a ansiedade em terminar a obra faz com que aceitemos mais facilmente as sugestões vindas de nosso cérebro. Aí poderemos entrar em uma espécie de “piloto automático”. Por exemplo, aplicando o mesmo tom e valor em uma área mais extensa, fazendo com que deixemos de observar que a cada centímetro de tela há variação de tom e valor. A não observância dessas variações fará com que sua pintura fique monótona.

 

Ver com os olhos:

Por outro lado, os nossos olhos sempre vão nos entregar informações muito bem detalhadas. Ainda em relação ao exemplo anterior, se você perguntar para os olhos, eles vão “dizer”: “Os dentes não têm contornos, são amarelados e os da frente têm valores maiores (são mais claros) que os de trás. Alguns dentes têm brilhos, e esses brilhos têm valores maiores (são mais claros) que os dentes mais claros. Cada dente possui variações de valores o que dá a ele um certo volume. Percebeu quantas informações são fornecidas pelos olhos?

 

 

Há 2 caminhos:

Caminho 1: Você enxerga com os olhos, acredita nas informações detalhadas que eles te passam e consegue reproduzir as formas, os tons e os valores com fidelidade.

Caminho 2: Você é guiado pelas sugestões simplificadas de seu cérebro e assim não conseguirá o realismo que busca em suas pinturas. É o que eu chamo de “pintura inconsciente”. A grande maioria das pessoas vai pelo Caminho 2.

Veja com os olhos e enquanto estiver pintando, você deve trabalhar de forma consciente no que se está fazendo naquele exato momento, não aceitando as sugestões oriundas do cérebro. Fazendo assim evitará 2 grandes problemas: O automatismo e a simplificação de formas, tons e valores. Concentre-se no detalhe que está sendo executado naquele momento e não com o todo

 

Não queira nem saber o nome daquilo que está sendo feito. Abstraia essa ideia. Depois de fazer vários detalhes (manchas) consecutivos, um em volta do outro, observe o tema de longe e perceba a harmonia do conjunto. Você deve se apropriar dessa compreensão.

Na pintura de cada área (mancha), como eu disse, não devemos nos preocupar com o que é o todo. Se é vidro, água, tecido ou madeira; se é pedra, nuvem ou vegetação. Nada disso importa. Não temos que pensar se estamos pintando isso ou aquilo. Não importa o nome, nem mesmo se sabemos pintar tal coisa. Reproduzimos o que vemos com os olhos na referência ou imagem que está diante de nós, na pintura de cada área...

 

Olhando para a referência, vamos fazendo as manchas parte por parte. Vão surgindo manchas sem significado. Às vezes poderá até parecer uma pintura abstrata. Aos poucos, elas vão se juntando com seus respectivos formatos, tons e valores. Enfim, as manchas vão dando a noção do todo. Vão dando a noção de transparência, metal, vidro, pedra, seja lá o que for.

As manchas estão confusas? Não sabemos o que é? Não há problemas. É até bom que estejam confusas em nossa mente e em nossa percepção. É até bom que nos sintamos inseguros diante dessas manchas. Isso faz com que prestemos mais atenção na referência que temos (usar mais o lado direito do cérebro). Quanto mais a imagem é estranha ao nosso cérebro, mais nos sentiremos forçados a olhar para a referência com os olhos para percebermos os detalhes que normalmente não ficaríamos procurando perceber em uma imagem comum/conhecida (uma imagem já pré-programada em nosso cérebro).

A absorção dessa compreensão é que vai fazer toda a diferença. Temos que ter bastante atenção e percepção no tom e valor de cada parte (mancha). Temos que ir fazendo e comparando tonalidades e valores de cada mancha.  

Quanto você compreende isso, metade do caminho já está percorrido. O resto é prática, muita prática, para que se coloque na tela aquilo que se vê com os olhos. Então, é disciplina, paciência e prática. Não podemos ter pressa. Esse é o caminho para você alcançar êxito, não só na pintura, mas em tudo que você faz.

Seguiremos o Caminho 1. Confie apenas nos seus olhos. Vendo corretamente, poderemos reproduzir com fidelidade qualquer tema. Esta é a base do que eu vou te ensinar nesse caminho. Vamos aguçar a nossa percepção tonal e de valores. Vamos pintar manchas com suas formas, tons e valores, reproduzindo assim a realidade exatamente como ela é.

Obs.: Este conteúdo é especialmente voltado para os iniciantes. Depois que o pintor adquirir mais experiência, ele poderá se dar ao luxo de quebrar estas e outras regras. Poderá, por exemplo, não ser tão fiel à uma foto referência. Desenvolverá talento para, se quiser, criar cenários mais ligados a fantasia utilizando cores mais vibrantes que não correspondam ao mundo real.

 

Essa teoria de ver com o cérebro e ver com os olhos foi desenvolvida pelo meu amigo Rico Ribeiro no livro “O segredo das cores” e que acredito ser única. Não há uma base ou uma referência técnica ou científica em que se possa basear para comprovar isso. É apenas uma forma de pensar, com a qual eu concordo e que se afina com a minha experiência também. 

Clique na figura do PDF para fazer

o Download do conteúdo escrito.